terça-feira, 24 de novembro de 2009

CACHAÇA CINEM CLUBE - no Cine Odeon

CACHAÇA CINEMA CLUBE

25 DE NOVEMBRO DE 2009
Sessão Anos 70

O Cachaça Cinema Clube do dia 25 de novembro volta olhos e ouvidos ao passado e revisita a década de 1970 no Brasil. Década de nascimento da geração dos atuais balzaquianos. Nós, do Cachaça, incluídos. Anos paradoxais, de recrudescimento político e arroubos criativos, de milagres prometidos e sonhos desapontados. Uma panela de pressão da história.

Para além da nostalgia, lembrar estes anos é entender a história recente do Brasil. Na tela, a efervescência cultural tropicalista, os triunfos futebolísticos, os descaminhos políticos e o desbunde libertário daqueles anos, ao mesmo tempo tão rígidos e tão loucos.

Guadalajara 70, de Felipe Nepomuceno, mostra que ao menos nos esportes a década de 70 começou muito bem, nos pés da seleção canarinho, tricampeã na Copa do México. No filme, os heróis da Pátria de chuteiras na visão carinhosa dos anfitriões mexicanos. Ninguém segura o Brasil, de Alfeu França, é um documentário de arquivo com material sobre a propaganda do regime militar, louvando o Brasil, o país do futuro. As imagens, em estado bruto, mostram a tentativa desastrosa de construir um país, um milagre que não se concretizou. Chega a ser engraçado de tão trágico. Humor amargo, clássico do cinema de Sérgio Santeiro, de 1973, traz os então rapazes Hugo Carvana e Paulo José em pequenos esquetes sobre a decepção social e política que rondava o Brasil na época.

DESTAQUES
Mas os anos 70 também foram anos de intensa produção cultural, é claro. Passeios no recanto silvestre, de Miriam Chnaiderman, é uma visita a José Agrippino de Paula, multiartista que deixou para o mundo o clássico do cinema transgressor, "Hitler Terceiro Mundo", e o livro PanAmérica, que une Marylin Monroe, Marlon Brando e John Wayne na filmagem de um filme bíblico. A obra, que serviu de base para o movimento tropicalista e foi cantado em versos nas letras de música, tornou Agrippino um mentor, um guru do tropicalismo. Diagnosticado com esquizofrenia e falecido em 2007, ele foi e ainda é a prova viva da força libertadora da loucura.

Xarabovalha, de Heloísa Buarque de Holanda, de 1978, mostra que, em tempos de engajamento político, o porra-louquismo podia sim apontar uma nova direção para a sociedade. No documentário, o cotidiano do grupo de artistas de Asdrúbal Trouxe o Trombone, formado por Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães, Evandro Mesquita, Patrícia Travassos, Nina de Pádua e Perfeito Fortuna, que encabeçados por Hamilton Vaz Pereira, mostram o poder contestador e libertário do desbunde.


A FESTA
Após a sessão, tradicional degustação de cachaça Claudionor, eleita a 3° melhor do Brasil. Em sequênncia festa com DJ H e com o convidado do mês DJ Lencinho, que toca nos intervalos dos shows no Circo Voador e pelo Rio afora.

OS FILMES

Ninguém segura o Brasil: a propaganda do regime militar, de Alfeu França, 2009, 30'

Guadalajara 70, de Felipe Nepomuceno, 2002, 12'

Humor Amargo, de Sergio Santeiro, 1973, 7'

Passeios no recanto silvestre, de Miriam Chnaiderman, 2006, 15 min

Xarabovalha, de Heloísa Buarque de Holanda, 1978, 13'



Cachaça Cinema Clube
Dia 25 de novembro de 2009.
Cinema Odeon Petrobras, 21h.
Praça Floriano, nº 7. Cinelândia.
Preço: 12 Reais inteira, 6 Reais meia.


 

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