sexta-feira, 8 de julho de 2011

A voz feminina e o estranhamento da ficção



No último sábado, o filme O conto da aia, de Volker Schlöndorff, foi exibido no Ciência em Foco, da Casa da Ciência na UFRJ, na Urca.

A professora de Literatura Inglesa da UERJ, Lucia de La Rocque (pesquisadora do IOC/Fiocruz e pós-doutora em Antropologia, Gênero e Ciência pela UFRGS), falou sobre sua tese intitulada Distopia onde a voz feminina não tem vez, lançando olhares sobre o romance de Margaret Atwood, comentando a adaptação de Schlöndorff e de que forma a ficção científica feminista nos força a pensar sobre questões muito próximas de nós.

ps: distopia (dis- + -topia) -> [Patologia]  Localização anormal de um órgão.

Lucia iniciou sua fala comentando a respeito da autora canadense, focando-se no reconhecimento que o romance recebeu. Comentando a distopia trazida pela representação do futuro no romance e no filme, Lucia salientou o fato de a supressão de liberdade estar ligada também à supressão de sentimentos, que se seguiu às guerras e foi propagada pela então atual autoridade fundamentalista cristã.

Lucia de La Rocque

Foram trazidos à discussão alguns ecos do contexto sócio-histórico do romance e do filme, como exemplos do conservadorismo estadunidense da era Reagan, que defendia a negação das liberdades civis às mulheres e seu retorno às funções básicas da reprodução e às funções do lar. A ficção do filme também estabelece ressonâncias com outros tipos de práticas associadas a alguns fundamentalismos religiosos, assim como com o período puritano da Nova Inglaterra do século XVII. A ausência de nomes próprios às mulheres, sempre relacionados aos do marido, poderia ser considerada uma metáfora para práticas patriarcais das sociedades ocidentais.

A partir destas relações, é possível perceber algo da potência da ficção científica feminista: a possibilidade de se criar sociedades e situações alternativas às que existem na realidade, que nos fornecem o afastamento adequado para que percebamos justamente as questões associadas a este estranhamento. No caso, o filme nos permite abordagens que colocam em foco temas como a maternidade e a reprodução. Lucia comentou estes aspectos em relação com elementos contemporâneos, como a mercantilização do corpo feminino associado também às biotecnologias reprodutoras. O atual crescimento de clínicas de fertilização e reprodução assistida, o descarte de embriões em contradição com os movimentos contra o aborto, são alguns pontos que podem ser pensados e discutidos à luz da distopia de Atwood/Schlöndorff.

Cineclube da Casa da Ciência da UFRJ.

E as distopias continuam na próxima sessão do Cineclube da Casa da Ciência, que acontece todo primeiro sábado do mês. O próximo será no dia 6 de agosto. Com exibição do filme clássico de François Truffaut, baseado no livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 (Reino Unido, 1966).

Com participação da filósofa e escritora Marcia Tiburi, doutora em Filosofia pela UFRGS e professora do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie, SP, com a palestra Entre a escrita e a imagem. Marcia publicou vários livros, dentre eles, Filosofia em comum, Filosofia brincante, e os recém-lançados Filosofia pop e Olho de vidro - o estado de exceção da imagem.


_tirei daqui: http://cineclubecienciaemfoco.blogspot.com/

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Filosofia do Rock | Legião Urbana e Michel Foucault (EU FUI)

"A MÚSICA É UMA COMPANIA, UMA IMAGEM SONORA"



ONTEM A NOITE, MEUS AMIGOS SARAH E JEAN FORAM COMIGO NO BATE-PAPO NO CCB AQUI DO RIO SOBRE LEGIÃO URBANA E FOUCAULT.

TUDO DE BOM ! O PODER, O CONTROLE, A SEXUALIDADE E A SUBJETIVIDADE ESTUDADOS E RELATADOS POR FOUCAULT. E VIMOS QUE PODEMOS ENCONTRA-LOS NAS LETRAS DO RENATO RUSSO, NA FORMA DA CONTRA-VERDADE, DA DESTRUIÇÃO DO SABER E DO PODER, DA BUSCA PELA SEXUALIDADE, LIBERDADE E SUBJETIVIDADE.  TODA ESSA CONVERSA MUDOU MINHA RELAÇÃO COM AS MÚSICAS QUE MARCARAM A MINHA ADOLESCÊNCIA (E A DA MAIORIA DAS PESSOAS QUE ESTAVAM LÁ).

ALGUMAS MÚSICAS CITADAS NO ENCONTRO ONTEM:
MÚSICA URBANA
GERAÇÃO COCA-COLA
SERÁ
FAROESTE CABOCLO
MENINOS E MENINAS

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"Tire suas mãos de mim!
Eu não pertenço a você.
Não é me dominando assim
Que você vai me entender.
Eu posso estar sozinho,
Mas eu sei muito bem aonde estou.
Você pode até duvidar.
Acho que isso não é amor.
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação.
Serão noites inteiras,
Talvez por medo da escuridão.
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução.
Prá que esse nosso egoísmo,
Não destrua nosso coração.
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Brigar prá quê se é sem querer?
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter que responder
Pelos erros a mais, eu e você?"

WORKSHOP DE FÉRIAS



JULHO, MÊS DE FÉRIAS NA FACULDADE. NA UNICARIOCA TEM VÁRIOS CURSOS BONS PARA FAZER

 



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terça-feira, 5 de julho de 2011

IV ENCONTRO DE JORNALISMO EM REDE

Filosofia do Rock | Legião Urbana e Michel Foucault

No CCBB do Rio


Marcia Tiburi e Thedy Correa conversam sobre a Legião Urbana – banda de música filosófica em um país musicalmente rico e filosoficamente pobre – e a obra crítica de Michel Foucault, o inventor da microfísica do poder e da biopolítica que revolucionaram a percepção das relações humanas na segunda metade do século 20.

Duração: 90 minutos
Data: 6 de julho
Quarta, às 18:30
Sala 26 - 4º andar | Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
Entrada Franca | Senhas distribuídas 1 hora antes do evento











TEATRO | Cyrano de Bergerac



Escrito por Edmond Rostand em 1897, o clássico texto francês conta a história de um cadete apaixonado por sua prima e que, devido ao seu nariz muito comprido, julga-se demasiadamente feio e desmerecedor de seu amor. Para expressar seus sentimentos, torna-se, em segredo, porta-voz de um jovem e belo cadete, apaixonado pela mesma mulher e que se mostra inapto para cortejá-la.

Direção: João Fonseca.
Elenco: Bruce Gomlevsky, Julia Carrera, Sérgio Guizé, Gaspar Filho, Gustavo Mello, Glaucio Gomes, entre outros.



De: 9 de junho a 31 de julho
Quarta a domingo, às 20h
Teatro I do CCBB
Rua Primeiro de Março, 66. Centro
10,00 inteira - 5,00 meia
Duração: 120 minutos

 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

EXPOSIÇÃO | BRASIL FEMININO




Biblioteca Nacional promove uma grande e emocionante exposição sobre as mulheres que marcaram a história do Brasil
 

Brasil Feminino resgata trajetória e ascensão das mulheres no Brasil em cinco séculos em 150 documentos raros, fotografias, jornais, revistas e pinturas de artistas como Debret e o original da Lei do Ventre Livre, em áreas como: esporte, educação, diretos humanos, cultura, política, religião e muitas outras 

 
A Biblioteca Nacional abre amanhã, terça-feira, dia 5 de julho, a exposição Brasil Feminino, que reconstitui a saga da mulher brasileira dos tempos coloniais até os dias atuais. Por meio de 150 fotografias, jornais, revistas, pinturas e documentos raros selecionados no acervo da BN, a mostra traz as histórias de mulheres que, com seus trabalhos, suas ideias e crenças, vêm mudando a história do Brasil. Entre móveis, espelhos, cortinas e instalações, a mostra apresenta um visual fantástico num percurso com cerca de 70 metros ao redor do Auditório Machado de Assis.
De Mãe Menininha do Gantois, Clarice Lispector e Pagu a Zilda Arns, Ruth de Souza, Carlota Joaquina e Maria Leopoldina. De Maria da Penha, Bertha Lutz, Ana Maria Machado e Benedita da Silva a Hilda Hilst, Lygia Bojunga, Lygia Fagundes Telles e Fernanda Montenegro. Da Marta, jogadora de futebol,  à Seleção Feminina de Vôlei, medalha de ouro em Pequim. De Tônia Carrero, Norma Bengel, Marta Rocha, Maria Bethânia e Rita Lee à presidenta da República, Dilma Rousseff, estão todas lá. 

 
A cerimônia de abertura da exposição, que integra as comemorações dos 200 anos da Biblioteca Nacional, no dia 5 de julho, acontece às 18h, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. 


Brasil Feminino está no Espaço Cultura Elizeu Visconti, localizado no primeiro andar da Biblioteca Nacional (Rua México, s/nº - Centro – Rio de Janeiro). A entrada é franca e os horários de visitação são de segunda a sexta, das 10 às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 12 às 17h. 


Também estão previstos debates e painéis no Auditório Machado de Assis durante os dois meses de exposição. A exposição fica à disposição do público até o dia 26 de agosto.

 
As homenageadas que confirmaram a presença:  
Ana Bella Geiger (artista plástica),   
Ítala Nandi (atriz), 
Lucy Barreto (produtora de cinema),   
Norma Bengel (atriz e diretora),   
Rachel Gutiérrez (pianista, professora e primeira mulher a participar de uma eleição majoritária),   
Rose Marie Muraro (escritora, editora e fudadora do selo Rosa dos Tempos),   
Rosiska Darcy de Oliveira (uma das maiores defensoras dos direitos das mulheres, no Brasil e no Mundo),  Ruth de Souza (atriz),  
Schuma Schumaher (organizadora do dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 Até a Atualidade e coordenou o projeto 500 Anos Atrás dos Panos)  
Vera Lucia Couto (a primeira Miss Brasil negra do país)