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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Casa Arrumada {celebrando meu novo apê}


Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras 
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, 
que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. 
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

TRABALHOS DA FACULDADE DE JORNALISMO

Finalmente me formei em Jornalismo! Foi uma estrada longa e vergonhosa. Entrei pela primeira vez numa universidade com 19 anos, na Universidade Federal da Paraíba, onde eu morava. Sempre quis fazer comunicação e já vinha de um 2º grau técnico em Publicidade na ETEC, no Rio. Mas como na UFPB não tinha publicidade, fiz Relações Públicas e gostei muito. No quinto período me deu a louca e larguei tudo e voltei pro Rio. Tentei transferência para UFRJ durante 1 ano e nada! Então em 2002 pedi transferência para a Estácio e como lá não tem RP, voltei pra publicidade. Adorei até chegar na parte prática, daí detestei ter que pensar em 12 slogans para um mesmo produto! Que perda de tempo, pensava eu. Até que em 2004 tranquei por problemas financeiros. Reabri em 2005. Tranquei novamente em 2006 por problemas de saúde do marido (agora ex-marido) e só consegui voltar para faculdade em 2008! Esse tempo foi bom porque amadureci e perdi o medo de perder tempo, já que teria de começar tudo desde o início escolhi o curso que já tinha me apaixonado na época da Estácio. E em agosto de 2008 entrei no Centro Universitário Carioca (Unicarioca) e comecei a estudar Jornalismo. E fui até o fim sem parar! Dia 05 de julho de 2012 defendi meu projeto de TCC e passei com nota máxima com louvor! 

Já uso este blog para publicar alguns trabalhos acadêmicos meus, como forma de guardar na web caso todos os back ups que faço deem errado algum dia. Então vou aproveitar este meu momento de férias e continuar a publicar meus trabalhos aqui. Ainda to bolando um jeito de colocar a extensa monografia e as fotos aqui também, afinal foi o meu trabalho mais importante!

domingo, 12 de agosto de 2012

texto | Guarde seu coração





O sentido das relações por vezes fica abalado. Por mais que se acredite na pessoalidade de cada história, existem momentos de difícil compreensão.
Será que é permitido se sentir miserável? O mundo hoje está repleto de frases feitas. Muitos querem passar uma imagem “zen” e que se vive desta forma. Mas existe a dor que dilacera, a solidão que corrói, as dificuldades que enfraquecem e a tristeza que torna tudo cinza. Qual o problema de achar difícil ter fé no amanhã? E se já não dá para esperar que algo transformador aconteça em meio a um processo tão complicado? E se falhamos em acreditar em nós mesmos? E mais, e se falhamos em acreditar no outro?
É tempo de estiagem. Não há cor e nem flores. Vai ver neste período nada possa ser feito e o remédio seja esperar. Esperar por mais um ciclo e assim, por mudanças. É possível mesmo que essa história de que o coração não sente o que não vê, seja verdade. Mas o que fazer com o que ele vê? As pessoas são tão nocivamente indiferentes que sequer percebem que perdem todos os argumentos e justificativas, quando demonstram que são capazes de compreender suas atitudes.
Especificamente falando de relacionamentos, qualquer tipo, as pessoas doam-se, cuidam, encurtam distâncias, arrumam tempo; o que é o previsível, diante do fato que se importam e querem manter o outro em suas vidas. Mas e quando isso é explicitado e as atitudes demonstram o contrário? Fala-se em amor, mas ele não é praticado. Ao mesmo tempo, espera-se que o outro compreenda as lacunas que são criadas, mesmo assistindo o empenho que existe em outras relações. Afinal, se você consegue agir de uma determinada forma, é porque conhece o conceito. Então, não há justificativa para não praticá-lo com os que você escolhe conviver e abertamente diz amar.
Algumas pessoas envenenam o coração de outras. Às vezes, é preciso admitir que essas atitudes machucam para não mais testemunhá-las. Ou você se protege ou sempre será alvo do exercício da indiferença alheia. Não há motivo para viver assim. O difícil é compreender o porquê. Talvez seja carma. Que constatação triste. Viver sabendo que em toda a sua existência você vai cruzar com pessoas dispostas a te tratar desrespeitosamente. Que peso lidar com o fato que talvez nunca se conheça o prazer de uma relação verdadeira, não perfeita, mas repleta de tudo aquilo que as pessoas estão dispostas a doar umas para as outras. O que te resta é cuidar de si mesmo. Ninguém fará isso em seu lugar. Arrumar maneiras de não servir de passagem para inconsequência e estupidez humana. Um dia essas mesmas pessoas que não te tratam como você merece, estarão diante do que foram e não gostarão do que virão, mas só lhes restarão arcar com suas escolhas e suportar as consequências. Isso não é desejo de vingança, é a realidade da vida. Ninguém sai impune. Infelizmente, esse processo se repete desde que o mundo é mundo. Nós ainda temos muito que aprender.
Diante desta realidade, não há mais como postergar o que precisa ser feito. É necessário aprender a se proteger. Um dia, a alegria de construir laços com quem queira te amar e ser amado por você será real. O segredo é esse: amar e se deixar amar. É uma troca; uma via de mão dupla. Pessoas que só olham para si e só querem para si, estão muito longe de saber o que é o amor.
Coloque seu coração na sua caixa protetora. Não tema, ele é livre e saberá o momento de sair novamente. Quando isso acontecer, ele estará mais forte e você sentirá o frio no estômago de estar diante do novo e a alegria de ter deixado o que te fez tanto mal para trás. Você terá aprendido a se amar e se sentirá vivo!

Martha Gama

quinta-feira, 26 de julho de 2012

AS COISAS BONITAS DA VIDA


Tenho estado muito tempo sozinha e quieta em casa, somente na companhia da gata Cherrie, que infelizmente não sabe falar. To cansada da internet e da TV, até mesmo dos livros da minha cabeceira estou cansada. Daí queria atualizar meu blog mas não tinha nada, nem na cabeça nem nos rascunhos. Escrevi no google o justo oposto do que to sentindo e vivendo no momento: coisas bonitas da vida. Achei esse texto e gostei.


**  ** ** **

E muita coisa bonita vem acontecendo ultimamente, dessas bonitas de verdade, como o sol que brilha tão forte a ponto de quase cegar e fazer com que enxerguemos tudo meio alaranjado, meio filme faroeste.

E da mesma forma que a gente só dá valor à nossa breve visão sépia quando tudo já escureceu, eu só compreendo a beleza de cada gesto quando está meio que tarde demais pra agradecer.
Eu digo “meio que tarde demais” porque de vez em quando me dá uma loucuras de abraçar repentinamente, mandar uma mensagem perturbada e agradecida, sair sorrindo um pouquinho mais.
Na outra parte da vida, eu fico vendo as coisas passarem e eu, mera espectadora, tentando me infiltrar numa ceninha qualquer, coadjuvante que seja, só pra ter uma vida mais empolgante, mais cinematógrafica, menos minha.
Porque viver o que é nosso e que não pode ser tomado por ninguém é difícil pacas, e pensar que criar esses roteiros da vida real dá errado na grande maioria das vezes desanima bastante, tira a vontade de estrelar qualquer obra, mesmo que seja a sua própria. Se todo mundo seguisse meus diálogos e scripts, ao menos, quem sabe eu não pudesse fingir melhor e parar com esse nhenhenhem de crise de um quarto de idade menos 6. Mas ninguém segue, visto que o resto do mundo deve estar tão perdido quanto eu e esse texto confuso.
Enfim, a intenção era só deixar um lembrete das coisas bonitas e eu fui bem além disso.
Voltemos aos conselhos não seguidos, às risadas forçadas e aos momentos de distração atenuantes. Busquemos as palavras de conforto, as músicas compatíveis e os abraços sufocantemente libertadores. Olhemos pra todo o resto e toda a vida, esteja a visão sépia, p&b ou fosca, mas enxerguemos que deve haver um sol brilhante atrás de todas as nuvens negras da chuva.
Tem muita coisa bonita acontecendo ultimamente, e pessoas tão belas quanto me ajudando a enxergá-las. Pensando bem, creio que já tô encontrando o caminho, mas suplicando para que venham comigo caso o sol realmente me cegue nalgum ponto qualquer.

Das coisas bonitas da vida - por Raíssa Palma

sábado, 14 de julho de 2012

exposição sobre a revista O Cruzeiro

Um olhar sobre O Cruzeiro: as origens do fotojornalismo no Brasil




O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro abre em 10 de julho (terça-feira), às 19h, a exposição Um olhar sobre O Cruzeiro: as origens do fotojornalismo no Brasil, com mais de 300 imagens e matérias que revelam a história da principal revista ilustrada brasileira do século XX, que foi decisiva para a implantação do fotojornalismo no país. A exposição tem como fio condutor a relação entre as imagens produzidas pelos fotógrafos e as fotorreportagens tal como foram publicadas. Essa abordagem, até hoje inédita, terá como foco as décadas de 1940 e 1950, período de maior inventividade e penetração social da revista. A curadoria da mostra é da professora e curadorado Museu de Arte Contemporânea da USP, Helouise Costa, e de Sergio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles. No dia da abertura, será realizada uma mesa-redonda com o jornalista e escritor Fernando Morais;Flávio Damm e Luiz Carlos Barreto, que colaboraram para a revista como fotógrafos; e a curadora Helouise Costa. A entrada é gratuita e os lugares são limitados.


Na exposição, serão apresentadas as contribuições de Jean ManzonJosé Medeiros, Peter Scheier, Henri Ballot, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Luciano Carneiro, Salomão Scliar, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Roberto Maia, João Martins, Mário de Moraes, Eugênio Silva e Carlos Moskovics, além de Flávio Damm e Luiz Carlos BarretoMuitas das imagens pertencem ao acervo IMS. Outras foram cedidas por outros acervos: jornal Estado de Minas, Fundação Pierre Verger, APESP (Acervo Público do Estado de São Paulo), Coleção Samuel Gorberg e os acervos pessoais de Luiz Carlos Barreto e Flávio Damm.

Publicada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, a revista O Cruzeirofoi lançada em 1928 como uma publicação semanal de variedades, de circulação nacional. Tornou-se um dos mais influentes veículos de comunicação de massa que o país já conheceu. No início da década de 1940, incorporou o modelo da fotorreportagem, tornando-se pioneira na implantação do fotojornalismo no Brasil. “Mesmo após 38 anos do fechamento da revista, constatamos que ela continua sendo uma importante referência para os profissionais da imprensabrasileira, muito embora seja pouco conhecida pelas gerações atuais”, explica a curadora Helouise Costa.

Abertura: 10 de julho de 2012, às 19h
Mesa-redonda com Fernando Morais, Flávio Damm, Luiz Carlos Barreto e Helouise Costa


Exposição: de 11 de julho a 7 de outubro de 2012
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca - Classificação livre


De terça a sexta, às 17h, visita guiada pelas exposições. 
Visitas monitoradas para escolas: agendar pelo telefone (21) 3284-7400.

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

quinta-feira, 14 de junho de 2012

12 motivos para você namorar um fotógrafo

To atrasada, eu sei. Mas é que o dia 12 não foi dos mais fáceis pra mim. E também só agora achei algo legal, que vale a pena postar.












1- Você sempre terá fotos bacanas nos perfis das redes sociais


Não tem nada que fotógrafo goste mais do que fotografar. Ainda mais quando tem uma modelo sempre à sua disposição. Aproveite pra pagar de gatinha no facebook, com fotos “profissas” (que vão continuar fazendo sucesso mesmo se o namoro não der certo) 


2- Fotógrafos são ótimos observadores, com certeza vão notar o novo corte de cabelo


Um fotografo não olha, repara. Ele vai notar toda e qualquer diferença em você (ainda mais depois de ter passado 2 horas tratando, no photoshop, aquele retrato que fez de você). Ah, ele também vai notar cravos, espinhas, delineador mal passado, batom borrado e etc. 


3- Vai ganhar um curso de fotógrafia grátis, com direito a estágio


Fotógrafos adoram falar sobre fotografia, explicar a regra dos terços, a diferença entre luz dura e luz suave, a relação entre o diafragma, o obturador e o ISO. Aproveite, fique atenta e anote tudo. Não vai demorar pra ele resolver te chamar pra carregar equipamente e segurar rebatedor. Quem sabe no dia dos namorados, do ano que vem, você não ganha uma lomo? 


4- Não vai sair feia em mais nenhuma foto


Fotógrafos conhecem todas as técnicas para que uma mulher fique linda na foto. Você irá aprender qual o seu melhor ângulo, quais poses favorecem o seu bumbum e quais disfarçam aquela barriguinha que você não tem, mas teima em aparecer nas suas fotos 


5- Vai viajar para Paraty pelo menos uma vez por ano


Todo fotógrafo que se preze vai ao Paraty em Foco. Enquanto ele fica “fritando”nas palestras, vc pode passear de escuna e gastar horrores nas lojinhas da cidade. Ele vai estar tão atordoado com o volume de informação, que nao vai nem se importar em emprestar o cartão de crédito. E quem sabe, com tanta inspiração, não rola um ensaio sensual no quarto da pousada? 


6- Fotógrafos apreciam a beleza


Estufe o peito, levante o queixo, pode se achar a última bolacha do pacote. Se você namora um fotógrafo, pode ter certeza, você é linda, pelo menos pro gosto dele. Agora, se ele também curte HDR, bem, melhor passar pro próximo item. 


7- É fácil dar presente pra um fotógrafo, é só escolher qualquer livro de fotografia


Aniversário, dia dos namorados, natal, não sabe o que dar de presente pro seu namorado fotógrafo? Simples, compre qualquer livro de fotografia, qualquer um, ele vai gostar. 


8- Se for um fotojornalista, você sempre estará bem informada


Fotojornalistas passam o dia todo na rua, vendo e interagindo com o que acontece de mais importante na cidade. Vão estar sempre dispostos a compartilhar aquela informação quentíssima, de bastidor, com você. Sabe aquele galã boa pinta da tv? É gay. 


9- Não precisa ficar com ciúmes se ele for num encontro de colegas de profissão


Provavelmente, fotografia vai ser o único assunto da noite e não existe nenhuma paquera de bom gosto com a palavra diafragma. 


10- Vai estar em todos os eventos culturais da cidade


Fotógrafos adoram uma galeria, museu, ou coisa parecida. Não importa o conteúdo, eles estão em todas. Se você gosta de fotografia (óbvio), pintura, escultura, cinema, teatro, nada melhor do que um fotógrafo para acompanhá-la. Mas não reclame se ele te chamar pra ver uma maratona de 12 horas com o melhor do cinema iraniano 


11- Não vão faltar fotos das viagens que farão


Fotógrafos adoram viajar, mudar de ares é ótimo para refrescar o olhar e inspirar para novos projetos. Quando viajam, pra Nova Iorque por exemplo, fotógrafos possuem 3 destinos favoritos, museus, a BH e a loja da Apple. Isso significa que você terá bastante tempo para testar todas as maquiagens da MAC. 


12- Sua casa será muito bem decorada com fotos em todas as paredes.


Fotógrafos de verdade vivem intensamente o lema “Foto boa é foto impresa”, vão ampliar todas as imagens que puderem e pendurar em qualquer espacinho entre o chão e o teto. Vai ficar lindo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

teatro | NADA




NADA


Inspirado na obra do poeta matogrossense Manoel de Barros, o espetáculo é uma construção poética e imagética que se ergue sobre “O Livro sobre o Nada”. Nele, personagens sugeridos na obra de Barros ajudam a dar vida a uma ação dramática que se passa em um único dia: o aniversário do avô. Na peça, o público é mais que mero observador. Faz parte da festa. Ou seja, constitui o grupo de convidados do aniversário, que acontece em tempo real. A peça é construída com fragmentos de publicações como Exercícios de Ser Criança, Poemas Rupestres e Livro de Pré-Coisas.


Versos e causos foram transformados nas falas dos sete personagens. Os trinta espectadores de cada sessão vivem experiência incomum, transformados nos convidados da festa de 80 anos do patriarca da família, o avô Joaquim (Lafayette Galvão). São acomodados ao redor de uma imensa mesa, com decoração típica de fazenda. Destoa, em ótimo sentido, a instalação com 4 000 objetos de vidro que domina o espaço cênico, representando as muitas coisas inúteis acumuladas ao longo da vida. Os moradores da casa servem ao público bolo de laranja, pão-de-ló, pão de queijo e jarros de sucos diversos, além de cachaça. Em tempo de roça, vagaroso, mas apropriado, a trama é apresentada. A harmonia entre o pai bonachão, Lourival (Adriano Garib), a mãe austera, Maria Olga (Miwa Yanagisawa), a tia abilolada Adaíla (Liliane Rovaris), a filha Tereza (Camila Márdila) e o empregado caipira Cícero (Rodrigo Lélis) é quebrada com a volta da outra filha. Ana (Marília Simões), vestida de noiva, reaparece depois de sete anos fugida. E o programa segue, envolvido por uma atmosfera de delicadeza inesquecível.



Concepção e Direção Geral: Adriano e Fernando Guimarães

Direção: Adriano Guimarães, Fernando Guimarães e Miwa Yanagizawa Dramaturgia: Adriano Guimarães, Emanuel Aragão e Fernando Guimarães, inspirado no universo de Manoel de Barros

Elenco: Adriano Garib, Camila Márdila, Lafayette Galvão, Liliane Rovaris, Marília Simões, Miwa Yanagizawa e Rodrigo Lélis



[OI FUTURO - FLAMENGO] 
Até 15 de julho | Nível 7
De quinta a domingo, 20h
Sábados: SESSÃO EXTRA, 17h 30
Ingressos: R$ 20,00 | Classificação etária: 14 anos

sábado, 19 de maio de 2012

Amadurecência [o teatro mágico]




Senhoras e sem dores,

Respeitável público pagão,
Bem-vindo ao Teatro Mágico.

Parto-me.

Parto-me.

A poesia prevalece.

A poesia prevalece.

O primeiro senso é a fuga.

Bom, na verdade é o medo,
Daí então, a fuga.
Evoca-se na sombra uma inquietude,
Uma alteridade disfarçada,
Inquilina de todos os nossos riscos,
A juventude plena e sem planos se esvai
O parto ocorre.
Parto-me. Parto-me. Parto-me. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias.
Flagelo-me.
Exponho cicatrizes.
E acordo os meus, com muito mais cuidado,
Muito mais atenção!
E a tensão que parecia nunca não passar,
O ser vil que passou para servir,
Pra discernir, harmonizar o tom.
Movimento. Som.
Toda terra que devo doar.
Todo voto que devo parir.
Não dever ao devir,

Nunca deixar de ouvir,
Com outros olhos!
Com outros olhos!
Com outros olhos!



...
porque hoje a noite tem! na Fundição Progresso. Lapa!

...

Alteridade : todo homem social interage e interdepende do outro. A existência do "eu-individual" só é permitida mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se torna o Outro - a própria sociedade diferente do indivíduo).

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Lomografia: a fotografia pós-digital



Na era da fotografia digital surge um movimento que se opõe à lógica de produção técnica dos dias atuais e absorve os aspectos positivos da contemporaneidade cibernética: a lomografia que, com equipamentos baratos e técnicas fotográficas primitivas, promove a disseminação da experimentação fotográfica artística e aproxima arte e vida. Assim, fazendo uso de aspectos procurados pela arte contemporânea como o hibridismo, a democracia, a apropriação e a larga disseminação de ideias, a lomografia consegue fundir fotografia e experimentação em escala mundial. 

Lomografia, fotografia, experimentação.

Imersa em um mundo tecnófilo, a fotografia, desde os anos 90, procura seus caminhos de adaptação à digitalização dos meios. Desde então, fotógrafos, tanto os que atuam nas artes quanto os que atuam nas comunicações, buscam maneiras de manter a fotografia como meio de expressão ativo, mediante a atualização com o mínimo de perdas qualitativas e o máximo de otimização da produção. 

No âmbito das artes visuais, a tentativa de inclusão da vida cotidiana nos projetos de criação artística contemporâneos e o anseio de fundir arte e vida explicitam o caráter híbrido das abordagens pós-modernas, favorecendo o diálogo entre épocas e estilos diferentes. Gilles Deleuze,em A imagem-tempo, afirma que no pós-moderno tudo pode ser verdadeiro sem ser, necessariamente, verdadeiro, multiplicando as possibilidades de criação. É a coexistência de temporalidades. 

Nesse contexto, a noção de rede emerge com força estrondosa e se faz recorrente no pós-moderno. As novas tecnologias de produção e comunicação de conteúdo contribuem para que arte e mídia se aproximem, unindo, dessa maneira, suas lógicas de funcionamento. A convergência de culturas em um só ambiente faz com que novos valores e novas dinâmicas passem a integrar o cotidiano de todos.

É assim que, consequentemente, redundância e saturação também se fazem presentes como aspectos intrínsecos ao mundo contemporâneo. Com a rapidez da transformação que rege tudo o que está imerso na rede, incluindo a arte, é preciso que os sujeitos que a colocam em funcionamento também obedeçam a suas regras. Assim, produção e transmissão são constantes, o que provoca o transbordamento de conteúdo e sua repetição. 

Mais do que mesclar arte e vida, tentativa recorrente na história da arte, o pós-moderno trata de reinserir a arte no pensamento de seu tempo. Clement Greenberg2 pensava numa linha evolutiva em que o Modernismo seria o final, ou seja, a etapa mais evoluída da arte, e pregava a pureza, a prevalência e a valorização da forma sobre o conteúdo. O novo padrão é a ausência de padrão.

O conceito de construção da realidade também é marca do período em questão. Isso porque é a comunicação que fornece à sociedade o elo para seu funcionamento. É então que o uso da linguagem e seu exercício se tornam dominantes. Só por intermédio da linguagem estruturam-se percepções e visões de mundo no período pós-moderno. Inserida nesse contexto, a arte denominada contemporânea funciona no mesmo esquema. A apreensão da realidade obtida apenas pelos sentidos aos poucos se apaga em favor de construção da realidade em grau secundário, em que verdade ou falsidade já não são mais questões relevantes. Por isso é possível dizer que a arte contemporânea é o que diz ser, é a sua imagem. 

Assim sendo, conclui-se que a posição do receptor na arte contemporânea passa a ter extrema importância. Se o que se diz da obra, ou seja, sua imagem, é aquilo que é a própria obra, então a forma como se vê a obra passa a ser tão importante quanto sua forma originária. Dessa maneira, a participação ativa do receptor passa a integrar a própria obra, o que foi favorecido pelos meios digitais, que possibilitam interatividade e trocas mais imediatas, assim como coprodução mais simplificada.

O advento do digital, junto com a evolução tecnológica e o barateamento dos meios a partir da década de 1980, foi fundamental para que o papel do receptor na obra de arte fosse elevado e mesclado ao do autor. A facilidade com que se produz, coproduz, distribui, transmite e comunica impõe ao mundo nova dinâmica de funcionamento. 

Na fotografia, a mudança foi radical. A questão da produção é colocada em xeque já que o equipamento, simples e barato, é acessível e de fácil manuseio. Assim, a figura do fotógrafo existe em qualquer parte, independente de qualquer formação técnica ou teórica. Os programas de tratamento de imagens também problematizam a função do autor. Embora sempre tenha existido a manipulação de fotografias, com o desenvolvimento de softwares de fácil aquisição e manuseio, a figura do fotógrafo criativo, do fotógrafo-artista, do fotógrafo como ser criador de imagens poéticas perde um pouco de seu valor. Ainda, dentro da rede, a distinção entre original e cópia deixa de existir e, assim, não há mais qualquer diferença entre os dois quando tratamos de imagens digitais.

Mesmo com a criação do arquivo RAW, conhecido como o negativo digital, mais fiel àquilo que foi fotografado e dotado de mais informações de detalhe, a problemática que se estabelece entre original e cópia ou, melhor, entre a inexistência de original ou cópia, permanece. Ainda que seja um arquivo bruto, não deixa de ser um arquivo binário programado, que pode ser reprogramado, modificado e copiado tantas vezes quantas forem desejadas.

Outra consequência da digitalização do processo fotográfico é a perda da conexão com a realidade física que a fotografia sempre se particularizou por ter. Os arquivos binários são simulações daquilo que aconteceria se o processo fosse analógico e químico. Portanto, a conexão passa a ser apenas programada e institucionalizada. 



_texto de : 

Tatiana Xerez 

(revista do instituto de artes da uerj)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Para isso fomos feitos





Para isso fomos feitos:
para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente. 

[Vinícius de Moraes]



quinta-feira, 8 de março de 2012

Lembrando o Dia Internacional da Mulher



Eu sempre achei que comemorar datas impostas é complicado, pois o afeto não tem hora: Dia das mães, dos pais, das crianças, dos idosos, e até o Dia Internacional da Mulher são exemplos . As flores, e-mails,  um agradinho especial,ou o jantar, se forem somente formais, devem ser descartados, os válidos são os do coração, e você saberá reconhecê-los.

Então resolvi que o 8 de março coincide com o Dia Municipal do Homem,um certo tipo de ponto facultativo inventado por mim,somente para homenagear as mulheres: a mãe,a avó, a mulher,as filhas,as amigas,e pode até incluir a sogra...

Não farei desfiles na Av. Rio Branco e nem na Viera Souto levando rosas.

Discursos vãos, tipo Evita para os descamisados, não pronunciarei jamais!

Todo dia é dia de pensar na melhor parte de nós: A Outra.

Todo dia é dia de mandar e-mails, fazer comidinhas, dar flores reais ou virtuais, aguentar as TPMs ou os descalabros destas Donas Doidas que se agitam por aí. Como diria o poetinha Vinicius é maravilhoso observar o esforço delas para tentar ficar no fio da navalha entre ser mãe, profissional, mulher e “do lar”.

Deixou de ser a tripla jornada para ser a quádrupla, o que muitas vezes arria os quatro pneus destas maravilhosas malucas.

Mas se todos precisam de UM DIA para sinalizar quanto as mulheres são importantes, que seja o 8 de março, o que fazer?

Como dizia a raposa, no livro O Pequeno Príncipe:

-“O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração”.

Um beijo com carinho neste dia (sob protestos) e nos outros também.


Do João [meu amigo poeta]

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CLARICE LISPECTOR, UMA APRENDIZAGEM



Clarice Lispector é tema de curso no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro

Aulas serão ministradas por Benjamin Moser, Vilma Arêas, Nádia Gotlib e Carlos Mendes de Sousa 
 
O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro realiza o curso Clarice Lispector, uma aprendizagem. Serão quatro aulas (dias 28/02, 01, 06 e 08/03), terças e quintas, sempre às 19h. O curso será ministrado por nomes que são referência no estudo da obra da escritora: Vilma Arêas, Nádia Gotlib, Benjamin Moser e Carlos Mendes de Sousa. As inscrições começam nesta terça-feira (07/02) e poderão ser feitas somente na recepção do IMS-RJ. O valor do curso é de R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia). 50 vagas.

Veja a programação completa:

- 28/02 (terça-feira), às 19h: Vida depois da vida, aula com Benjamin Moser

Após ter escrito uma biografia de Clarice Lispector, Benjamin Moser percebeu que, apesar de suas quase 700 páginas, ela não estava completa, porque parara no momento da morte de Clarice, em 1977. Desde que morreu, Clarice tem vivido outra vida, a vida lendária e mítica, que quase daria outras 700 páginas. A aula será um estudo sobre essa vida pós-morte.

Sobre Benjamin Moser: o escritor norte-americano é autor de Clarice (Cosac Naify, 2009), a mais completa biografia de Clarice Lispector. O livro, editado no mesmo ano pela Oxford University Press com o título Why This World: A Biography of Clarice Lispector, foi recebido com entusiasmo pela imprensa estrangeira, como o jornal The New York Times e a revista The Economist. Graduado em história, é colunista da Harper’s Magazine e colaborador do The New York Review of Books.

- 01/03 (quinta-feira), às 19h: Considerações ao redor de um livro fraturado, aula com Vilma Arêas

A aula será uma discussão da poesia/prosa de Clarice Lispector, baseando-se principalmente na leitura do conto “A mensagem”, de A legião estrangeira, publicado em 1964. A compreensão do conto exige a leitura de textos de “Fundo de gaveta”, segunda parte do livro, que, a partir de 1978, passou a ser publicada separadamente com o título Para não esquecer. Os desdobramentos dessa opção editorial também serão objeto de avaliação.

Sobre Vilma Áreas: professora titular de literatura brasileira na Unicamp, é autora de Clarice Lispector com a ponta dos dedos (2005), premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Publicou, entre outros, Aos trancos e relâmpagos (literatura infantil, 1988) e A terceira perna (contos, 1992), que mereceram o prêmio Jabuti. Em 2002, Trouxa frouxa (contos) recebeu o prêmio Alejandro José Cabassa (44º aniversário da União Brasileira de Escritores).

- 06/03 (terça-feira), às 19h: Estratégias narrativas, aula com Nádia Gotlib

A que fatores atribuir o caráter inovador da literatura de Clarice? A aula vai se deter em alguns desses fatores ao examinar como a escritora se vale de procedimentos narrativos tradicionais para justamente desmontar tais procedimentos, numa atitude eminentemente crítica. Fotos de Clarice serão exibidas e analisadas para se verificar como detalhes dessa proposta de simultânea construção/desconstrução podem ser observados também no campo visual da fotografia.

Sobre Nádia Gotlib: professora livre-docente de literatura brasileira e estudos comparados
de literaturas de língua portuguesa na USP, é autora do pioneiro Clarice: uma vida que se conta (1995) e de Clarice — Fotobiografia (2008). Publicou diversos títulos, entre eles Tarsila do Amaral, a modernista (1998), Teoria do conto (1985), e organizou com Walnice Nogueira Galvão Prezado senhor, prezada senhora: estudos sobre cartas (2000). Suas pesquisas estão voltadas sobretudo para o estudo de arquivos pessoais, diários, epistolografia e autobiografia.

- 08/03 (quinta-feira), às 19h: Ler e reler Clarice, aula com Carlos Mendes de Sousa

Em uma entrevista, Clarice afirmou: “Parece que eu ganho na releitura”. Na aula, Mendes de Souza falará sobre sua experiência enquanto leitor de Clarice e mostrará como todo o regresso à sua obra comporta a possibilidade de uma renovação de interpretação. O escritor também abordará a dimensão visual da obra de Clarice.

Carlos Mendes de Sousa: português, tem se dedicado especialmente ao estudo da literatura brasileira. É autor de Clarice Lispector — Figuras da escrita (2000), que recebeu o Grande Prêmio de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores. Destacam-se ainda os seus ensaios sobre poesia portuguesa moderna e contemporânea, de Cesário Verde a Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Luís Miguel Nava. É codiretor da revista de poesia Relâmpago. Leciona na Universidade do Minho, em Portugal.

Clarice Lispector no IMS:

Desde 2004, a Reserva Técnica Literária do Instituto Moreira Salles guarda, entre outros, o Acervo Clarice Lispector, do qual fazem parte uma biblioteca de cerca de mil livros; manuscritos dos romances A hora da estrela, de 1977, e Um sopro de vida, de 1978; datiloscrito encadernado de A bela e a fera, de 1979; e dois quadros pintados pela autora. Grande parte do acervo já foi catalogada e está disponível para pesquisadores. No mesmo ano em que passou a abrigar o Acervo Clarice Lispector, o IMS homenageou-a com a edição de um volume duplo (n. 17 e 18) da série Cadernos de Literatura Brasileira. Além de cronologia da vida e da obra da autora, elaborada por Nádia Gotlib e pela equipe do IMS, o volume reproduz os manuscritos de A hora da estrela e traz ensaios assinados por Carlos Mendes de Sousa, Silviano Santiago, Vilma Arêas, Berta Waldman, Yudith Rosenbaum, Olga de Sá e Benedito Nunes. Em setembro de 2009, o IMS realizou, em sua sede no Rio de Janeiro, em parceria com o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, a exposição Clarice pintora. Com curadoria de Liliana Giusti Serra, foram mostrados ao público 16 quadros da escritora. No ano seguinte, o curso Cidades por escrito, também no IMS-RJ, reservou uma de suas seis aulas para Brasília, retratada de modo excepcional por Clarice em duas crônicas, publicadas no Jornal do Brasil e posteriormente recolhidas em A descoberta do mundo, de 1984. O responsável pela aula foi o crítico português Carlos Mendes de Sousa. Em dezembro de 2011, integrando-se à Hora de Clarice, comemoração do aniversário de nascimento da escritora, o IMS-RJ promoveu conferência de José Miguel Wisnik, professor de literatura da USP. O curso Clarice Lispector, uma aprendizagem é, portanto, parte de um trabalho que há muito vem se desenvolvendo cuidadosamente em torno da obra da escritora.


Curso Clarice Lispector, uma aprendizagem:
28/02 (terça-feira), 19h – aula de Benjamin Moser
01/03 (quinta-feira), 19h – aula de Vilma Arêas
06/03 (terça-feira), 19h – aula de Nádia Gotlib
08/03 (quinta-feira), 19h – aula de Carlos Mendes de Sousa

Sala de cursos do IMS-RJ – 50 lugares
Inscrições somente na recepção do IMS-RJ a partir do dia 7/02
Valores: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500