domingo, 12 de julho de 2009

dia todo sentindo frio

dia todo com buraco no estomago
com frio
com angústia
com lágrimas nos olhos
sem energia
com solidão
com medo
com tristeza

desculpe, mas é assim que me sinto.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

FUTUROS AMANTES


Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
.
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
.
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
.
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
.
[chico buarque]
.
música que amiga Deise cantou pra mim ao telefone, que se faz perfeita para o meu momento.
.
olhinhos brilhando
.
esperança no ar
.
dois com saudades
.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O AMOR QUE A VIDA TRAZ


Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um emprego seguro. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa da “Playboy”. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate á sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora você está aí, com esse amor que não pediu, não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada o amor solicitado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter fôlego.

Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo. E o certo era aquele outro que você havia encomendado, mas a vida, péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que nem lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela Internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor discretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém para qual um amor discretinho costuma ser desprezado, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinado lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.


[O amor que a vida traz – Martha Medeiros – O Globo 12.04.09]


Texto lido um dia depois deu ter achado o meu. Li no sofá, ao lado dele, um encostado no outro, tomando iogurte juntos, lendo juntos e ainda tinhamos um dia inteiro pela frente, juntos.
Na foto: a vista que temos no sofá.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

França: uma festa brasileira



No ano da França no Brasil o Arquivo Nacional apresenta, a partir do dia 08 de julho, a exposição França: uma festa brasileira, título inspirado nas celebrações que, no ano de 1550, reuniram índios brasileiros e os reis Henrique II e Catarina de Medicis, episódio retomado na obra de Ferdinand Denis, de 1850


Despertado no século XVI, o encontro entre os dois povos envolve as ideias e os modelos de civilização e comportamento que, sobretudo a partir do século XVIII, constituíram muitas gerações.

São exemplares desse contato livros raros como o de Jean de Léry no século XVI ou a edição da Encyclopédie ou as primeiras edições de Roger Bastide, de Germain Bazin e Claude Lévi-Strauss, que integram a coleção do Arquivo Nacional.

A influência francesa ressoa na fotografia, anunciada na França há 170 anos, nas ruas e construções do Rio de Janeiro, visíveis nas carte de visite tiradas na França ou nas imagens do fotógrafo e empresário franco-brasileiro Marc Ferrez que ergue salas de cinema na capital por ele fotografada, como o Pathé e o Paratodos. No século XX o país conserva a deferência pelos signos e pelos laços com a França, registrados em fotografias de intelectuais e políticos como Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir com Juscelino Kubitschek em Brasília e de artistas franceses que fizeram a vanguarda de movimentos culturais. A moda, o teatro, a vida noturna e o cinema franceses são revisitados em imagens do Correio da Manhã e da Agência Nacional. Da Agência vieram as imagens em movimento que, com as da TV Tupi e outras mostram Santos Dumont em Paris e Brigitte Bardot no Copacabana Palace, e muito mais filme editado no Arquivo Nacional e que será exibido durante a exposição. Capítulos da festa brasileira são ainda movimentos que nascidos na França ou inspirados pelas suas ideias repercutiram na história brasileira como a Queda da Bastilha e da Inconfidência Mineira em seus 220 anos. Da mesma forma o espírito positivista se fez presente na República em seus 120 anos, uma trajetória que tem entre outros momentos de reencontro as manifestações estudantis de 1968 que nas ruas das cidades brasileiras se alinharam à rebeldia dos jovens em Paris.


Arquivo Nacional
Praça da República 173
Aberto ao público a partir de 8 de julho de 2009
Horário: 8:30 às 18:00 hs
Entrada franca.

filmes que vi em 2009

A Proposta
Chá com Mussolini
Curtindo a liberdade
O escafandro e a borboleta (francês)
A outra
Não estou lá (EUA / Alemanha)
As bonecas russas
Vicky Cristina Barcelona
Ensaio sobre a cegueira
Noivas em guerra
O dia em que a terra parou
Se eu fosse você 2
Condor
Feliz Natal
Ensinando a viver
Piaf (francês)
Na natureza selvagem
A vida secreta das palavras (espanhol)
Margot e o casamento
Desejo e reparação
Um filme falado (português)
Divã do amor
Sem reservas
Apostando no amor (canadense)
Amar não tem preço (francês)
Transformers
Speed racer
Noites de tormenta
Crepúsculo
Jogo de Amor
O nome da rosa
Sete vidas
E sua mãe também
Foi apenas um sonho
A vida dos outros
O último rei da escócia
O curioso caso de Benjamin Button
Divã
Ele não está tão afim de você
Dia dos namorados macabro
Marley e eu
Madagascar 2
Wolverine
Uma noite no museu 2
A mulher invisível